Tecnologia em tempos de pandemia: como o fator humano alavancou a transformação digital das empresas?

Vimos circular algumas brincadeiras sobre o que de fato trouxe a transformação digital – CEOs? CIOs? CTOs? O gancho é que no fim não foi nenhum deles, e sim uma pandemia global. Porém, por mais que o COVID possa ser sim considerado o fator que “virou a chave”, ignorar o árduo trabalho e constante esforços das equipes de tecnologia é um erro. As coisas que mudaram no último mês só puderam acontecer porque os profissionais de tecnologia têm se preparado há anos para essa nova realidade.

 

A transformação digital se impôs como uma necessidade para a continuidade de negócios em diversos setores com a adesão emergencial do isolamento social temporário. Porém, sabemos que a tendência já existia, e essa trajetória seguirá – tanto como uma forma de continuar explorando os ganhos de eficiência quanto por suas vantagens para os colaboradores e clientes. Por isso, entender qual o seu impacto na sociedade e como aplicá-la nos processos de negócio é essencial. Essa mudança radical na estrutura das organizações, a partir da qual a tecnologia passa a ter um papel estratégico central, exige muito das equipes de TI.

 

Muitas companhias foram forçadas a repensarem a tecnologia como um fator protagonista para a adaptação dessa rápida mudança de cenário com pouco tempo para se adaptarem. Segundo uma pesquisa da Coresight Research, nos Estados Unidos os consumidores estão mais cautelosos ao fazer compras em lojas físicas com grande concentração de pessoas e estão se voltando ainda mais para o e-commerce. Quase metade (47%) dos consumidores consultados no fim de fevereiro está evitando fazer compras em shoppings, e 32% estão evitando lojas físicas em geral. Isso traz uma demanda imensa para as estruturas do varejo e diversas plataformas e ferramentas de cobrança, gestão logística e atendimento remoto aos consumidores. Se você ainda compra online, é porque uma equipe de TI foi capaz de escalar sua infraestrutura.

 

Entre empresas de saúde, vemos nos hospitais vários pacientes que se encontram isolados, e conseguem conversar com seus familiares via chamada de vídeo e senti-los mais próximo em um momento de distância e saudade causado pelo isolamento social. Isto exige uma rede mais robusta, que não foi inicialmente pensada para streaming e videoconferências constantes. No lado técnico é importante considerarmos os algoritmos e IA que estão auxiliando o País a definir sobre leitos de UTI em vários municípios. Essas informações são fundamentais para gestores e médicos delinearem ações emergenciais. A imensa agilidade de processamento de informações que sistemas de processamento em nuvem permitem vem sendo capaz de abreviar sofrimentos e indicar caminhos a serem seguidos. Se vemos a gestão de leitos e as instituições e pacientes conectados, é porque os provedores de serviços de redes e ferramentas de inteligência artificial estão sendo bem geridos.

 

Nesse momento ficou claro o quão necessário é o acesso à tecnologia e o quão capaz ela é de impactar nossas vidas positivamente. Data centers, cloud computing, inteligência artificial ou internet das coisas são palavras pouco usuais no dia a dia de grande parte da população, mas são essas ferramentas que estão tornando realidade essas iniciativas. Para a maioria de nós, esses processos podem ser invisíveis, mas nos bastidores, devemos tudo a inúmeros profissionais que mantém as engrenagens rodando.

 

Com certeza, essa fase passará, mas as transformações que a tecnologia causou nesse período são irreversíveis. Além de promover uma mudança radical nas estruturas de pequenas e grandes empresas, nossa rotina jamais será a mesma. Se antes criticávamos que o ambiente tecnológico afastava as pessoas, hoje vemos o quão fundamental ele é para nos aproximar. O que fica de aprendizado desse momento, é muito mais que os esforços da tecnologia como instrumento de suporte, mas sim, aprendermos a pensar de forma plural e não mais singular.

 

Fonte: Valor Agregado

 

Cleyton Ferreira

CTO da Compasso. Bacharel em Ciência da Computação pelo Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). MBA em gestão de Tecnologia da Informação pela Universidade de São Paulo (USP). Cleyton Ferreira tem trabalhado com administração, construção e entrega de sistemas complexos que requerem alta disponibilidade há mais de 20 anos. Trabalhou no ICEx com desenvolvimento de ferramentas de colaboração e na gestão de redes de computadores. Ajudou na construção e gerenciou a Telnet. Na Cimcorp, foi consultor de segurança, redes de computadores e sistemas de alto desempenho. No UOL, foi responsável por administrar, desenhar e entregar todos os Produtos criados internamente ou adquiridos. Foi Diretor de Operações do UOL e UOL DIVEO, Diretor de Engenharia do UOL Cloud, Diretor de Engenharia do UOL DIVEO, a divisão de Full IT Outsourcing e Data Center do Grupo UOL.