Por que experimentar é tão importante em projetos complexos?

O projeto é grande, envolve muitos colaboradores e exige resultados rápidos e assertivos. Porém, no meio do caminho, surgem uma série de percalços: informações desalinhadas, prazos postergados e outras dificuldades. Tudo foi ocasionado por algum erro, certo? E o que fazer para aprender com ele?

Qualquer aprendizagem é resultado de uma experiência e cada ser humano constrói seu próprio conhecimento – já dizia o psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget. Neste processo, o experimento e o erro são componentes de fundamental importância.

 

Experimento e inovação caminhando de mãos dadas

Todo processo de inovação necessariamente demanda experimentação e validação de novas possibilidades. Está relacionado ao estudo da viabilidade deste experimento, verificando-se na prática se aquilo que se mostrava uma ideia inovadora e interessante se traduz em resultados.

Uma ideia fantástica em tese pode não ter tanto potencial para se materializar por conta de fatores diversos, como por exemplo, dificuldades técnicas e culturais das pessoas que pensaram aquela ação ou até mesmo dos seus destinatários. Sua prática é importante para que, a partir de estudos e análises, seja possível obter uma amostra da sua viabilidade dentro do negócio, e assim identificar se ela é aderente e relevante para a companhia. Por isso, dentro da área de inovação, o ideal não é pensar em projetos, mas sim em experimentos.

 

O erro como componente importante do aprendizado

Piaget disse também que as crianças estão constantemente testando suas teorias próprias sobre o mundo. Ao tomar uma ação errada, a criança precisa saber que errou e porque aquilo é considerado erro. Assim, as informações dotadas de sentido serão internalizadas e os erros não voltarão a se repetir, pois afinal, ocorreu um aprendizado.

As empresas também necessitam testar suas próprias teorias sobre o mercado em que atuam, sobretudo em tempos de transformação digital onde todos atuam em busca de inovação. É importante que sejamos capazes de captar rapidamente uma decisão equivocada, e não há problema nenhum em voltar atrás e deixar de lado o trabalho realizado até ali. Esta é uma etapa da experimentação, que certamente levará ao sucesso com correções de rota realizadas no tempo certo.

 

A necessidade da autocrítica dos conceitos

O processo de inovação é composto por diversos passos, estudos e análises – com a finalidade de identificar necessidades sobre como e onde é necessário inovar. Portanto, a inovação acaba por se tornar o resultado de um trabalho elaborado, não proveniente apenas de pura inspiração.

Por isso, as empresas precisam levar em consideração que é fundamental fazer uma autocrítica de cada conceito, e não insistir indefinidamente em uma ação supostamente inovadora. Toda iniciativa necessita de consistência e, muitas vezes, a vaidade ou os objetivos focados em causas próprias podem levar gestores e tomadores de decisão a terem dificuldades em desapegar de conceitos que não correspondem a resultados mensuráveis.

 

Mudar para que se vença as dificuldades

Inovação é um processo evolutivo.

Consta que Thomas Edison, após ter sido intimado pelo seu patrocinador a interromper uma de suas experiências disse: “por que desistir agora, se já sabemos muitos modos de como não fazer uma lâmpada? Estamos hoje mais próximos de saber como fazer uma lâmpada que antes!” Sim, errar é a possibilidade de acertar na próxima tentativa.

Diríamos que o erro bom é aquele que nos abre alternativas. Seja capaz de dar um passo para trás, mirar na direção certa para, em seguida, dar dois passos para frente.

Esse processo é contínuo e também necessita de persistência. É preciso haver uma zona de equilíbrio, pois desistir na primeira dificuldade não significa tirar proveito dos seus erros. Por isso, a dica é estar sempre atento aos resultados gerados pela sua ideia, e como eles se encaixam dentro da companhia. Eles estão aderentes às necessidades do negócio? Possuem aceitação dos colaboradores ou clientes aos quais se destinam? Estão dentro do budget proposto? Seus resultados caminham para justificar a ideia? Analise e siga em frente, errando ou não. Afinal, é errando que se inova.