Tecnologias disruptivas, negócios incrementais

Se você observar os cursos da moda, os termos mais procurados e os últimos livros dos gurus, uma palavra recorrente certamente estará presente: inovação. É certo que não se trata de uma business word recente, ela já está por ai há algum tempo. Mas se antes era um diferencial, hoje é um mandatório para a sobrevivência no mercado.

Design Thinking, Lean Startup, Agile, Lean Innovation, tecnologias emergentes. Todos os métodos possíveis para ter um insight inovador, transformador. Mas analisando o índice global de inovação, nós figuramos na 69ª posição, com um índice de 34,87, atrás do México, Tailândia e Vietnã (Global Innovation Index – 2015). Apesar de contarmos com problemas de políticas públicas de incentivo, um sistema tributário complexo e dimensões continentais desiguais pensam demais, mas estes seriam os únicos fatores que impendem o mercado de se colocar numa melhor posição?

No filme Holywoodiano “O Grande Truque”, o personagem de Nikola Tesla diz: “ A sociedade só permite que você inove uma vez”.  O quão aberto estamos realmente para inovação?

Além das tecnologias emergentes e o desafio da transformação, nós vivemos talvez o que seja o segundo maior conflito de gerações (sendo o primeiro entre os baby boomers e a geração X). A vanguarda e o desenvolvimento tecnológico estão cada vez mais sob domínio de uma geração com menor idade – como a geração Z. Porém as diretorias e altas posições executivas e estratégicas, em sua grande maioria, são ocupadas pela geração X e baby boomers. O que não seria um problema potencial se as gerações conseguissem gerar a sinergia necessária para aproveitar o melhor de todo o aprendizado que marcaram suas gerações.

As gerações Y (milennials) e Z cresceram em um ambiente completamente diferente de seus pais, com uma economia recessa, ameaça de terrorismo global e escassez de recursos naturais. Elas são movidas por propósitos, muito além de números, e ambas tem um poder concentrado de influência sobre compras. A geração Z tem um espírito completamente empreendedor, e por terem crescido em um ambiente completamente digital, valorizam as comunicações pessoais e as relações humanas, muito mais que a geração Y (Gen Y and Gen Z Global Workplace Expectations Study, 2014).

Onde tudo isso se encaixa com a inovação?

Assim como no ambiente de trabalho, onde tentamos encaixar, a geração questionadora e insatisfeita, dentro de companhias com forma de trabalho, comunicação e hierarquias ultrapassadas, nós utilizamos tecnologias inovadoras em negócios antigos, apenas lhe conferindo agilidade e uma roupagem nova. Para inovar de verdade é preciso primeiro entender os anseios e fatores motivadores do mercado. O consumidor de hoje está muito mais antenado na ética, honestidade, relacionamento e comprometimento das empresas, são preocupados com o meio ambiente, sustentabilidade e com a própria saúde, um fator que demonstra isso é que mesmo diante de um mercado recessivo, o mercado de orgânicos tenha dobrado no Brasil no último ano.

Elon Musk, na sua entrevista ao TED Talks, quando questionado sobre o “ingrediente secreto” da sua brilhante capacidade de inovar, em projetos fantasticamente diferentes, do qual o próprio entrevistador destaca a visão transversal entre design, tecnologia e negocio e a confiança de desenvolvê-los, atribui este sucesso ao “framework” utilizado para solucionar os problemas, onde ele diz: “É a física. Sabe, é o tipo de raciocínio com princípios básicos. O que eu quero dizer com isto é: traga as coisas para a suas verdades fundamentais e raciocine a partir daí, em oposição à raciocinar por analogia. Na maior parte do tempo estamos raciocinando por analogia, que basicamente significa copiar o que as outras pessoas fazem com pequenas variações. E você tem que fazer isso, senão do contrário seria impossível viver o dia a dia. Mas quando você quer fazer algo novo, você tem que aplicar a abordagem da física. Física é na verdade imaginar como descobrir coisas novas que são contra intuitivas.”

Domine os anseios e problemas do seu mercado, experimente ser seu cliente. E seja capaz de responder qual o caminho mais rápido e seguro para atender esta demanda. Como torná-la acessível? Quais tecnologias podem te apoiar hoje? Quais princípios fundamentais regem este problema? E somente esteja aberto quando as respostas surgirem.

 

Mais em:

https://www.globalinnovationindex.org/gii-2016-report

http://millennialbranding.com/2014/geny-genz-global-workplace-expectations-study/

 

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Ana Paula de Luca Diegues

Ana Luca é apaixonada por tecnologia, literatura fantástica e política. Integrante do coletivo feminista de tecnologia MariaLab, acredita que a tecnologia é melhor ferramenta para mudar o mundo. Especialista em sistemas operacionais linux e AIX, atualmente integra o time de engenharia de Produtos e Projetos do UOLDIVEO.