Indisponibilidade de aplicações: Qual é o prejuízo para a sua empresa?

Passei alguns anos da minha carreira construindo projetos em ambiente de Data Center requisitados por diversas empresas de setores industriais distintos e muitas vezes percebi que o tema indisponibilidade e seus efeitos para o negócio como um todo não eram abordados com o aprofundamento necessário ou eram esquecidos ao se “espremer” por redução de custos. Lembro que em muitas reuniões tive que revelar este tema e perceber que era tratado com certa surpresa.

Se observarmos o relatório publicado pela Veeam (2016 Veeam Availability Report) feito com 1.140 tomadores de decisão de TI de 24 países, veremos claramente que as necessidades da corporação estão bem distantes de serem atendidas, e que as empresas de uma forma mais macro, precisam fazer da disponibilidade uma prioridade estratégica ou estarão arriscando a perda de até 16 milhões de dólares por ano em receita. Para ficar mais claro, vamos comparar os dados de 2014 com as informações obtidas em 2016:

  • O tempo de inatividade anual não planejado foi elevado:
    • 1,4 a 1,9 hora para aplicações essenciais.
    • 4 a 5,8 horas para aplicações não essenciais.
    • O número médio de eventos aumentou (de 13 para 15 eventos).
  • O custo médio anual do tempo de inatividade para uma organização pode chegar até US$ 16 milhões (US$ 6 milhões a mais que 2014).

É sempre importante destacar que o preço de uma indisponibilidade para um ambiente de produção pode ser mais impactante do que se pode imaginar. Observe a figura seguinte:

 

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Veja que mais da metade dos entrevistados (68%) revela que a confiança na organização pode ser afetada e 62% afirma que a confiança na marca pode sofrer danos. Os dados revelam que foram notadas quedas nos preços das ações, juntamente com a presença de processos judiciais. São dados que precisam e devem ser levados em consideração.

Imaginemos este acontecimento em empresas que operam com bolsa de valores ou com compras pela internet. É inaceitável imaginar que os consumidores de hoje aceitariam esperar 1 minuto para um site retornar ao funcionamento com o objetivo de concluir a sua compra. Questionar suas instituições se estão à altura deste desafio é uma tarefa que todos os líderes de negócio deveriam fazer.

Outro ponto importante para ser avaliado está centrado na causa do e nos efeitos do temido downtime (quedas funcionais) de uma aplicação. Quase metade dos entrevistados (48%) reportaram que suas organizações tiveram repetitivas experiências com quedas causadas pelo uso de upgrades na aplicação ou problemas gerados por correções feitas no sistema operacional. Aqui vale o questionamento: onde estão os ambientes para homologação e onde estão as metodologias para aplicação das correções em ambientes com cluster balanceados por cargas de trabalho?

Observe que a presença de um balanceamento de cargas é um importante aliado para corrigir um grupo de aplicações que apresentou algum tipo de problema. Outro elemento importantíssimo é o teste de backup. Somente 41% dos entrevistados afirmaram que usam seus backups como parte dos testes de recuperação e ainda assim, este backup possui uma recuperação em dias relativamente pequena. No Brasil, a média foi de 11 dias de dados recuperados por mês, na Alemanha 12 dias e na Itália 14.

Para concluir, é importante termos em mente que o desenho de qualquer projeto, seja ele físico ou virtual, deve considerar a sobrevivência da aplicação mesmo em condições de falhas. Claro que o desafio é sempre alinhar custos com perdas financeiras causadas pela ausência funcional da aplicação. Acredito que os números apresentados pela Veeam mostram que existe um longo caminho a ser trilhado, mas que existe solução se pensarmos estrategicamente com cuidado.

 

Denis Souza

 

Links indicados:

UOL DIVEO

https://go.veeam.com/2016-availability-report-latam-br.html

http://convergecom.com.br/tiinside/home/internet/19/02/2016/indisponibilidade-de-aplicacoes-gera-prejuizo-de-us-16-milhoes-por-ano-as-empresas/

http://computerworld.com.br/brasileiras-perdem-us-18-milhoes-com-indisponibilidade-de-aplicacoes

Denis Souza

Analista de Produtos no UOL DIVEO, especialista em segurança de dados. Formação em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba, com experiência de mais de 17 anos na área de tecnologia da informação, sendo destes 9 anos como Engenheiro de Redes de Computadores e 4 anos aplicados como Arquiteto de Solução para ambientes Data Center.