A criação de uma empresa: unindo culturas

Estávamos no final de 2010, exatamente no mês de dezembro, quando concluímos após pelo menos um ano de conversas e negociações a aquisição da Diveo.

Nove fundos, liderados pela Goldman Sachs (que detinha a maior participação da empresa), eram os donos da Diveo.Talvez isso por si só já justifique a demora na negociação, além do que se tratava de um grande deal.

Lembro que uma das críticas que o UOL S/A recebia dos analistas e investidores – nesta ocasião estávamos listados na Bovespa – era justamente de não abrirmos a estratégia em detalhes. Com essa aquisição, ficou claro nossa intenção em entrar de forma expressiva no mercado de datacenter e serviços de TI.
Com a aquisição da Diveo, de fato nos tornamos um grande player do setor, e como já havíamos inaugurado outro datacenter “da Glete” (pois localizava-se na Alameda Glete na capital paulista) em março de 2010, somávamos então 26.000m2 de área construída. Assim, administrávamos o maior parque de datacenters do Brasil e da América Latina.
Vários clientes de grande porte estavam sob nossos serviços, dos mais diversos: colocation, hosting, gateway de pagamento, EDI, quality assurance, segurança, integração de sistemas, infraestrutura de datacenter e telecomunicações!

Sim, telecomunicações, a Diveo também possuía uma rede composta, principalmente, por comunicação via Rádio de alta potência. Confesso que tentamos não incluir essa rede no deal por acreditar que telecom não era nosso foco, porém, o vendedor não queria desassociá-la e argumentava que era justamente um diferencial, pois os principais competidores não tinham sua rede e teriam que contratar de terceiros para concluir a solução.

Além disso, a maioria dos clientes de telecom também eram clientes de hosting ou colocation, o que foi confirmado após o due diligence. Hoje esse rede atende por volta de mil clientes.
A Diveo possuía uma carteira muito rica de clientes que mantivemos e ampliamos os serviços até hoje. No mundo financeiro, hospedamos a maior bolsa de valores da América Latina e mais de 140 instituições financeiras, nacionais e internacionais.

Também juntaram-se mais clientes da área de varejo e e-commerce. Podemos afirmar que prestamos serviços atualmente mais de 70% de todo e-commerce brasileiro, o que nos dá muito orgulho e também enorme responsabilidade.
Agora que já tínhamos um portfólio bastante consistente e uma carteira robusta de clientes, chegou a hora de criarmos um brand para essa nova companhia. Estávamos até então, usando dois brands: UOL Host para o serviços de webhosting e UOL Host Corporativo para identificar os serviços customizados para empresas.

A equipe de marketing, sempre muito criativa, apresentou algumas dezenas de nomes. Mas, nos guiamos pela intuição e lógica, onde poderíamos aproveitar toda a presença e história construída pela DIVEO desde o ano 2.000 no mercado corporativo e a modernidade e vanguarda associada a marca UOL. Além disso, alguém comentou que ao preservarmos os nomes de empresas adquiridas, contávamos a história de uma forma simples e direta. Assim, decidimos pelo nome UOL DIVEO, e em nossos cartões até pouco tempo, mantínhamos uma discreta assinatura da DHC.

Começamos a partir daí uma nova etapa da Companhia, somado ao difícil desafio de juntar a cultura de várias empresas adquiridas até então, e a nova cultura a ser criada a do UOL DIVEO!

Gil Torquato

CEO do UOL DIVEO, Gil Torquato é Bacharel em Relações Públicas pela Fundação Cásper Líbero, pós graduado em marketing pela ESPM e MBA em Gestão Empresarial pela FGV.