Garanta suas Datas – Parte 4

Olá pessoal,

Dando sequência ao artigo ‘Garanta suas Datas – Parte 3’ publicado no dia 23 de novembro hoje entraremos na 4 e última etapa deste estudo. Caso você não tenha lido os posts anteriores sugiro voltar lá, pois poderá ter dificuldades de entender a lógica do estudo de caso.

GESTÃO POR INDICADORES

Gosto muito de realizar gestão baseado em indicadores. Quando realizamos gestão pelos números certos nossas decisões e estratégias se tornam muito mais assertivas.

Quando comecei a estudar Lean me deparei com um mundo de indicadores totalmente novos e meu impulso inicial foi querer medir tudo que fosse possível.

Não cometa o mesmo erro!

Se você é um aficionado por números assim como eu, segure o impulso. Medir todos os indicadores possíveis sem uma ferramenta que lhe forneça estes números de forma automática irá lhe trazer uma carga extra de burocracia que irá impactar o dia a dia do seu time. Principalmente no momento em que estiver implantando esta nova cultura.

Encontrei a medida certa quando conheci o gráfico do Kanban (figura 16). Nele consigo extrair 3 indicadores que me permitem ter a visão necessária para realizar a gestão do time da forma correta.

Figura 16 – Gráfico de saída do processo do Kanban

Neste gráfico você consegue acompanhar as seguintes visões:

  • A camada roxa indica o tamanho do backlog, isto é, quantas histórias existem paradas na coluna ‘To Do’ do seu time;
  • A camada vermelha corresponde ao número de histórias vivas no seu board, no nosso exemplo corresponde as colunas WIP + Waiting + Review;
  • A camada azul indica quantas histórias seu time entregou.

Acompanhando o comportamento destas 3 camadas você é capaz de avaliar a saúde do processo. O ideal é que as camadas ‘In Progress’ e ‘Deployed’ tenham o mesmo comportamento, pois isto é reflexo do sistema puxado, ou seja, sempre que uma história é empurrada para fora (Deployed) uma nova história é puxada para execução (In Progress).

Também existem técnicas para tratar o backlog, onde você poderá apresentar no board apenas as atividades priorizadas. Neste caso o backlog deverá diminuir continuamente até que ocorra a carga de uma nova leva de histórias priorizadas. Esta carga costuma ocorrer antes do backlog zerar, garantindo assim que o time nunca fique sem demanda.

No próximo tópico irei lhes apresentar os principais indicadores deste gráfico e como você deve interpretá-los.

 

ENTENDENDO OS PRINCIPAIS INDICADORES

O gráfico do Kanban lhe fornece 3 indicadores básicos que lhe permitirá manter a gestão da sua equipe. Melhor que isto, permitirá que você melhore a relação com seu cliente, pois irá garantir transparência no alinhamento e manutenção de datas. Saiba como interpretar as informações fornecidas pelo gráfico do Kanban para extrair estes indicadores (figura 17).

Figura 17 – Principais indicadores do Kanban

Cycle Time (Cycle Time = Lead Time / WIP): corresponde ao tempo que o time leva para concluir uma história após ter iniciado sua execução. Com este número você terá condições de estimar a data de entrega de cada história viva no seu board.

Lead Time (Lead Time = Cycle Time * WIP): este indicador avalia o tempo que a história levará para ser entregue a partir da data em que ela foi inserida no seu backlog. Com ele é possível alinhar com o solicitante da tarefa qual a data estimada para sua entrega.

Throughput (Throughput = WIP / Lead Time): este indicador informa qual a vazão diária de histórias realizadas pelo time. Com esta informação você consegue estimar qual a data de entrega de uma determinada atividade, basta mapear o número de histórias que estão à sua frente e fazer a relação com o throughput da equipe.

Com apenas estes 3 indicadores consigo manter uma gestão que me permite:

  • Avaliar a produtividade da equipe;
  • Identificar desvios na execução do processo;
  • Analisar o impacto gerado por priorizações de histórias;
  • Apoiar renegociação de datas já definidas;
  • Manter a transparência com o cliente.

Trabalhe diariamente para manter estes indicadores saudáveis e lhe garanto que sua dor de cabeça irá reduzir significantemente.

 

DIVERSIFICANDO VISÕES

Você lembra que destacamos com cores diferentes as etapas que eram de responsabilidade de times terceiros na construção do fluxo de Implantação? Pois é, agora que você conhece os indicadores que podemos acompanhar através do gráfico do Kanban tenho certeza que você irá querer ‘brincar’ com visões diferentes.

Por exemplo. Não seria interessante conhecer o lead time e o cycle time para as histórias direcionadas às equipes terceiras? Saber o quanto atividades direcionadas às equipes fora da sua alçada estão impactando seu projeto é uma informação valiosa para traçar novas estratégias.

Isto pode ser feito de maneira fácil, basta você trabalhar com boards diferentes no Kanban. Note que não estou falando que todos os times devem utilizar esta metodologia para você ter esta visão. Entendo que este seria o melhor dos mundos, mas sei o quão difícil é mudar esta cultura para a empresa inteira e provavelmente você não conseguirá fazer isto de ‘bate pronto’.

Faça o seguinte. Crie 2 boards idênticos no Kanban, mas desta vez não adicione a coluna ‘Waiting’ (figura 18). Nomeie 1 board como Implantação e o outro board como Terceiros.

Figura 18 – Separando a visão de terceiros

A partir deste momento seu time poderá lançar as histórias que dependem exclusivamente deles no board ‘Implantação’ e lançar as histórias que envolvem equipes terceiras no board ‘Terceiros’. Faça esta divisão com base na classificação que realizamos no mapeamento do fluxo de Implantação.

Manter os boards separados lhe permite visualizar os indicadores referentes as atividades exclusivas do seu time e os indicadores referentes as atividades realizadas por times terceiros. Estas visões lhe permitem identificar como os times terceiros estão impactando seus projetos.

Se você conseguir automatizar a abertura das histórias nos boards, sugiro que crie um board para cada time envolvido no fluxo de Implantação, aprofundando ainda mais a visão e controle que você manterá sobre o processo.

Utilizando o mesmo conceito você poderá criar um board gerencial apenas com os épicos. Esta visão lhe permite conhecer os indicadores referentes ao projeto como um todo e não mais apenas as etapas mapeadas no fluxo.

 

O PODER DA INFORMAÇÃO

Com base em todo o trabalho que lhes apresentamos até aqui, você será capaz de gerar visões importantes para garantir a gestão do seu time e aumentar a transparência no relacionamento com as demais áreas que se relacionam com o processo de Implantação.

Veja algumas visões interessantes que você poderá acompanhar:

  • Através da visão gerencial você conseguirá estimar datas para entregas de projetos com uma assertividade muito alta. Isto é feito através do indicador de lead time do board gerencial.
  • Você conseguirá acompanhar os indicadores de cada equipe terceira e será capaz de identificar quando mudanças internas destas equipes impacta seus projetos. Isto é feito através do throughput de saída acompanhada no board de terceiros.
  • Impactos devido a priorizações de histórias poderão ser medidos com base nos indicadores de cycle time ou do throughput de saída. Isto é importante para repactuar as datas de épicos e histórias já existentes.
  • Será possível planejar o impacto na produtividade do time durante ausências programadas na equipe (período de férias por exemplo). Esta análise pode ser realizada através do throughput de saída.
  • Você poderá avaliar o indicador de throughput por analista. Esta informação permite você identificar analistas que estejam com uma produtividade muito baixa para poder providenciar ações como capacitação por exemplo.
  • Dependendo do nível de automação que seu processo possuí é possível extrair os indicadores para cada uma das etapas mapeadas no fluxo de Implantação. Isto é interessante para você identificar impactos referentes aos processos da empresa. Por exemplo, o indicador de Cycle Time da etapa ‘RFC’ pode sofrer mudança de comportamento caso o processo de GMUD foi alterado.

Estes são apenas alguns exemplos de análises possíveis neste cenário. Tenho certeza que você terá novos insights quando aplicar este trabalho na realidade da sua companhia.

 

CONCLUSÃO

Este estudo de caso lhes mostrou como estruturar um time de Implantações de forma a mitigar o risco de estouro de datas alinhadas com seus stakeholders. Você pode aplica-lo em qualquer fluxo de implantação, mas seu valor será maior em fluxos que envolvem mais de uma equipe.

Não tive o intuito de lhes entregar o passo a passo exato do que devem fazer, pois entendo que você encontrará particularidades em sua empresa que deverão ser superadas com criatividade, seja adaptando os conceitos que lhes apresentei ou integrando outros conceitos à sua solução.

O mais importante é lhes instigar a estruturar soluções para seus problemas encaixando as ‘peças’ de conhecimentos que você vem acumulado ao longo da sua jornada. Seja flexível, faça pequenas alterações ou adaptações para conseguir desenvolver soluções que atendam melhor suas necessidades.

Aproveite o conhecimento que te apresentei, pois você não precisa começar do zero, mas não se prenda somente a ele. Você já pensou em adaptar esta proposta para atender requisições da Operação? Antes de falar que não é possível avalie em um nível mais profundo, identifique os verdadeiros empecilhos e faça modificações na solução se for necessário. Mas não fale que não dá porque ninguém o fez ou porque a metodologia xyz não lhe indica fazer desta forma.

Pare de copiar e comece a criar! Pare de seguir e comece a puxar!

 

Rodrigo Muniz da Rosa

 

Rodrigo Muniz

Graduado em Sistemas de Informação, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, Rodrigo Muniz trabalha na área da tecnologia da informação desde 1997, atuando em empresas de serviços com foco em administração de infraestrutura e outsourcing de datacenter.