Como inserir Design Thinking na sua empresa

Olá,

Sou idealizador do Congresso Nacional de Design Thinking (CONATHINK) realizado durante o último mês de março. Ao total reunimos 29 experts de Design Thinking que ministraram 38 palestras ao longo de 7 dias.

Este evento me proporcionou contato com milhares de pessoas interessadas em inovação e um dos questionamentos que mais escutei durante os 7 dias do congresso foi referente a dificuldade de inserir a inovação dentro das empresas. Em 100% dos casos o maior ofensor apontado pelas pessoas foi a cultura avessa aos valores defendidos pelo Design Thinking.

Ok, nós sabemos que a cultura da maioria das empresas foi forjada no passado, onde os valores praticados eram outros, muitas vezes contrários aos valores defendidos pelo Design Thinking. Isto realmente acaba sendo uma barreira muito grande e difícil de ser superada pela maioria dos Design Thinkers que se aventuram nesta missão.

Mas existe um caminho ainda pouco praticado que pode te levar ao sucesso, mesmo que a cultura da sua empresa não esteja 100% alinhado com os valores defendidos pelo Design Thinking.

O segredo está em não tentar mudar a empresa e sim trabalhar a forma como você está tentando introduzir o Design Thinking neste ambiente. Quer saber como?

EXERCITE OS 3 PILARES DO DESIGN THINKING: empatia, colaboração e experimentação.

A minha sugestão para você conseguir realizar isto é aplicar o Design Thinking para implantar o Design Thinking?

Pode parecer estranho, mas este é um bom caminho a se seguir.

Vamos iniciar pelo 1º pilar, a empatia.

Se você avaliar um pouco mais a fundo verá que os stakeholders da sua empresa não são contrários ao Design Thinking ou a inovação em si. Você só deve identificar qual o verdadeiro motivo que está travando o processo, a famosa segunda camada.

Defina sua persona e aplique o mapa da empatia. Provavelmente você irá se deparar com problemas como alocação de pessoas, demandas que já chegam com uma solução definida, o medo de que as falhas da fase de prototipação tornem o projeto mais caro ou impacte na credibilidade do time, a dificuldade para garantir uma data já acordada com stakeholders e por aí vai.

A grande questão é que você tem que conhecer exatamente qual é a tua barreira, pois ter essa clareza que possibilitará planejar um plano de ação para superá-la.

É possível puxar esta frente sozinho, mas se você encontrar entusiastas da inovação que possam te apoiar nesta caminhada será muito bem-vindo. Aqui você estará trabalhando o 2º pilar, a colaboração.

Assim como em um projeto padrão do Design Thinking a colaboração gera um ambiente muito propício a inovação, pois a diversidade estimula a criatividade. Mas atenção, é fundamental que as pessoas recrutadas sejam entusiastas da inovação.

O 3º pilar é um dos mais importantes no processo de introduzir o Design Thinking em uma empresa e geralmente é ignorado. Antes de ‘vender’ o Design Thinking para sua empresa, experimente.

A melhor forma de experimentar neste caso é identificar um problema conhecido na tua empresa e trabalhar em sua solução aplicando o Design Thinking. E atenção, todas empresas possuem problemas conhecidos. Esta é a oportunidade que você terá para aplicar o Design Thinking sem ninguém te cobrar por uma data. Nesta fase isto é importante, pois o time ainda está se habituando ao Design Thinking e você precisará prototipar e testar quais caminhos deve seguir. Também é nesta etapa que você deve eliminar todas as objeções mapeadas no mapa da empatia.

Ao finalizar este projeto você terá seu 1º case de sucesso, que deverá ser usado para abrir portas para o Design Thinking na sua empresa, e deverá eliminar todas as objeções que seus stakeholders possuíam.

De forma breve este são os passos que eu indico para introduzir o Design Thinking na sua empresa.

 

Grande abraço,

Rodrigo Muniz

Antes que seja tarde

Por que o comportamento do consumidor importa na transformação digital dos negócios?

Durante boa parte do ano de 2015 e o ano todo de 2016, vimos o tema “transformação digital” virar “mainstream” entre as empresas.

Em 2016, porém, o “buzz” em torno do assunto ficou mais claro pela mudança rápida em mercados consolidados como TV por assinatura, Taxi e instituições financeiras.

Serviços disruptivos como Netflix, Uber e as Fintechs mudaram a forma como nos relacionamos com empresas e ficou claro que é um processo sem volta. Quem detém o poder, o consumidor, decidiu experimentar e percebeu que as novas opções agradam mais.

O mercado sabe disso e reage na mesma velocidade. Não à toa, um estudo realizado pela BCG apontou que dos US$ 96 bilhões levantados em fundos de capital de risco desde a virada do século, US$ 4 bilhões foram especificamente para fintechs do mercado de capital.

Para se ter ideia do peso da transformação digital, a Fitch Ratings avaliou que as Fintechs não ocuparão o espaço dos bancos – não por que não tem relevância para o consumidor, mas sim por que as instituições financeiras, percebendo a mudança do mercado, estão mudando e dando muito mais peso para suas estratégias de atuação digital.

Mas por que o comportamento do consumidor importa?

Os institutos de pesquisa alertavam anos antes para a transformação digital que o mundo está passando e que as empresas precisavam se adaptar, sob o risco de se tornarem irrelevantes.

Mas digital pelo digital não importa.

Digital só importa à medida que o comportamento do cliente muda e isso passa a fazer sentido para ele.

Quando uma empresa de café em capsulas decide lançar uma cafeteira que permite que você programe, de qualquer lugar do mundo, o horário que seu café deve ser preparado, para você chegar em casa e encontrar ele pronto e quente na xícara, não estamos falando de simplesmente agregar uma função nova em um produto, mas sim em como melhorar a experiência de consumo usando a vantagem do mundo hiperconectado.

Casos mais clássicos como da Netflix também são sintomáticos: As pessoas têm perfis e rotinas diferentes. Por que tentar enquadrá-las em um padrão, se é possível entregar conteúdo de acordo com suas preferências, na hora que ela deseja? Experiência de consumo elevada à décima potência.

No mundo B2B não é diferente.

Saber quem influencia, quem decide e quem autoriza a compra dentro de qualquer processo de compras é trivial dentro do comercial e marketing, porém, isso não diz nada a respeito da experiência do cliente.

Entender como este mundo hiperconectado afeta a rotina dos envolvidos e dos seus clientes é que muda tudo.

Por isso, para convencer de que a transformação digital dos negócios é importante, antes entenda como é a jornada do seu cliente e como ela impacta a forma como ele interage com seu negócio. Antes que seja tarde.

Machine learning e Inteligência Artificial 5 dicas na visão de um desenvolvedor.

  1. Qual é o primeiro passo para um desenvolvedor iniciar em Inteligência Artificial e Machine Learning?

Estudar. É importante compreender fundamentalmente os algoritmos que você estará usando, caso contrário, cada método de Machine Learning é uma caixa preta. Então tente fazer projetos ML, como competições Kaggle, onde você tem uma definição clara do que você está tentando aprender – como um algoritmo específico ou kit de ferramentas. Você vai falhar, muitas vezes, mas é assim que melhor aprender ML técnicas.

 

  1. Quais são os principais processos de criação para o Machine Learning?

O primeiro e mais importante passo é entender o problema que você está tentando resolver. Quais são as entradas e saídas desejadas? Quais são os dados? Completamente compreender os dados, antes de experimentar com algoritmos. Caso contrário, você pode ter nenhuma confiança realista na qualidade do resultado ou confiabilidade. Você provavelmente também precisará pré-processar e transformar os dados, e talvez obter mais dados. O próximo passo no processo ML é considerar os algoritmos e métodos que você tem à sua disposição. Para os algoritmos que são adequados para o seu problema e dados, existem muitos critérios a considerar, tais como fiabilidade, eficiência, escalabilidade, e assim por diante.

 

Os principais pontos são:

  • Defina o problema;
  • Analisar e preparar os dados;
  • Selecionar algoritmos;
  • Execute e avalie os algoritmos;
  • Melhore os resultados com experimentos focalizados;
  • Finalizar resultados com ajuste fino.

 

  1. Quais são as melhores ferramentas ou plataformas de machine learning para desenvolvedores?

Isso realmente depende de quais problemas você está tentando resolver, especificamente os dados que você está lidando. Dito isto, open-source reina supremo. Existem muitos kits de ferramentas de alta qualidade e de código aberto para aprendizado de máquinas para que os desenvolvedores aproveitem e as comunidades são ativas e úteis. No mundo Python, eu realmente gosto Scikit-learn para a sua ampla gama de aprendizagem de máquinas e ferramentas de análise de dados. Pela mesma razão que eu gosto mlpack para C + + desenvolvedores. O NLTK é um go to para métodos e dados de processamento de linguagem natural (PNL), embora os pacotes de aprendizagem profunda implementem algoritmos de PNL de alta qualidade. Se você está tentando fazer análises de streaming, NuPIC é melhor. É o estado da arte da AI, com um incrível repositório e comunidade, e implementado em Python, C ++, Java e Flink. Especificamente para aprendizagem profunda, estamos vendo um monte de estruturas boas e rápidas: confira Theano, Neon ou TensorFlow do Google. Em Java, eu recomendo altamente deeplearning4j.  É aprendizagem profunda de ferramentas de machine learning, escrito por alguns engenheiros muito espertos. 🙂

 

  1. Qual seria atualmente a linguagem de programação recomendada para ML para desenvolvedores?

Python, sem dúvida. A maioria dos kits de ferramentas de aprendizado e análise de dados estão em Python e tem uma comunidade enorme e útil. Os métodos avançados, como HTM e aprendizagem profunda são muitas vezes implementados em Python.

 

  1. Como o machine learning é diferente da machine intelligence?

ML está construindo sistemas de software que visam melhorar com experiência. Algoritmos de ML executam tarefas específicas e estreitas, como jogar um determinado jogo. Um exemplo é a aprendizagem profunda ou algoritmos de clustering. MI é a manifestação de software da inteligência: não a capacidade de realizar uma tarefa específica, mas sim a capacidade de descobrir a estrutura no mundo através da interação sensório-motor e, em seguida, usar esse conhecimento para atingir objetivos. Talvez uma definição mais clara de MI seja através de seus requisitos: a máquina deve aprender a partir de fluxos de dados sem rótulos, continuamente, ao fazer previsões, detectar anomalias e fazer classificação, ou seja, o que o cérebro humano faz.

 

Grande abraços e até a próxima.

Luiz Eduardo

 

Tecnologias disruptivas, negócios incrementais

Se você observar os cursos da moda, os termos mais procurados e os últimos livros dos gurus, uma palavra recorrente certamente estará presente: inovação. É certo que não se trata de uma business word recente, ela já está por ai há algum tempo. Mas se antes era um diferencial, hoje é um mandatório para a sobrevivência no mercado.

Design Thinking, Lean Startup, Agile, Lean Innovation, tecnologias emergentes. Todos os métodos possíveis para ter um insight inovador, transformador. Mas analisando o índice global de inovação, nós figuramos na 69ª posição, com um índice de 34,87, atrás do México, Tailândia e Vietnã (Global Innovation Index – 2015). Apesar de contarmos com problemas de políticas públicas de incentivo, um sistema tributário complexo e dimensões continentais desiguais pensam demais, mas estes seriam os únicos fatores que impendem o mercado de se colocar numa melhor posição?

No filme Holywoodiano “O Grande Truque”, o personagem de Nikola Tesla diz: “ A sociedade só permite que você inove uma vez”.  O quão aberto estamos realmente para inovação?

Além das tecnologias emergentes e o desafio da transformação, nós vivemos talvez o que seja o segundo maior conflito de gerações (sendo o primeiro entre os baby boomers e a geração X). A vanguarda e o desenvolvimento tecnológico estão cada vez mais sob domínio de uma geração com menor idade – como a geração Z. Porém as diretorias e altas posições executivas e estratégicas, em sua grande maioria, são ocupadas pela geração X e baby boomers. O que não seria um problema potencial se as gerações conseguissem gerar a sinergia necessária para aproveitar o melhor de todo o aprendizado que marcaram suas gerações.

As gerações Y (milennials) e Z cresceram em um ambiente completamente diferente de seus pais, com uma economia recessa, ameaça de terrorismo global e escassez de recursos naturais. Elas são movidas por propósitos, muito além de números, e ambas tem um poder concentrado de influência sobre compras. A geração Z tem um espírito completamente empreendedor, e por terem crescido em um ambiente completamente digital, valorizam as comunicações pessoais e as relações humanas, muito mais que a geração Y (Gen Y and Gen Z Global Workplace Expectations Study, 2014).

Onde tudo isso se encaixa com a inovação?

Assim como no ambiente de trabalho, onde tentamos encaixar, a geração questionadora e insatisfeita, dentro de companhias com forma de trabalho, comunicação e hierarquias ultrapassadas, nós utilizamos tecnologias inovadoras em negócios antigos, apenas lhe conferindo agilidade e uma roupagem nova. Para inovar de verdade é preciso primeiro entender os anseios e fatores motivadores do mercado. O consumidor de hoje está muito mais antenado na ética, honestidade, relacionamento e comprometimento das empresas, são preocupados com o meio ambiente, sustentabilidade e com a própria saúde, um fator que demonstra isso é que mesmo diante de um mercado recessivo, o mercado de orgânicos tenha dobrado no Brasil no último ano.

Elon Musk, na sua entrevista ao TED Talks, quando questionado sobre o “ingrediente secreto” da sua brilhante capacidade de inovar, em projetos fantasticamente diferentes, do qual o próprio entrevistador destaca a visão transversal entre design, tecnologia e negocio e a confiança de desenvolvê-los, atribui este sucesso ao “framework” utilizado para solucionar os problemas, onde ele diz: “É a física. Sabe, é o tipo de raciocínio com princípios básicos. O que eu quero dizer com isto é: traga as coisas para a suas verdades fundamentais e raciocine a partir daí, em oposição à raciocinar por analogia. Na maior parte do tempo estamos raciocinando por analogia, que basicamente significa copiar o que as outras pessoas fazem com pequenas variações. E você tem que fazer isso, senão do contrário seria impossível viver o dia a dia. Mas quando você quer fazer algo novo, você tem que aplicar a abordagem da física. Física é na verdade imaginar como descobrir coisas novas que são contra intuitivas.”

Domine os anseios e problemas do seu mercado, experimente ser seu cliente. E seja capaz de responder qual o caminho mais rápido e seguro para atender esta demanda. Como torná-la acessível? Quais tecnologias podem te apoiar hoje? Quais princípios fundamentais regem este problema? E somente esteja aberto quando as respostas surgirem.

 

Mais em:

https://www.globalinnovationindex.org/gii-2016-report

http://millennialbranding.com/2014/geny-genz-global-workplace-expectations-study/

 

Preciso mesmo complicar para inovar?

Depois de 20 anos trabalhando ininterruptamente com Web (e inexoravelmente com a TI ao seu redor) e acompanhando praticamente como tudo começou, como está evoluindo e para onde vai, você se sente confortável para falar do assunto com algum conhecimento de causa. Afirmo com segurança que, nesse tempo todo, a palavra que mais ouvi foi “inovação”. Eu sei: inovar não é ato exclusivo de TI. A NASA, por exemplo, a tem em seu DNA e mostrou sua importância durante a Corrida Espacial, no século passado. E não só ela, mas também a antiga (e rival) União Soviética. A partir de 1760, em outro exemplo contundente, a própria Revolução Industrial foi um marco em inovação que moldou tecnologia, indústria, comércio, relações humanas e processos de forma indelével.

Uma busca simples pelo termo “inovação” no Google retorna, sem maiores refinamentos, 102 milhões de resultados. Em inglês, “innovation” aparece 448 milhões. Ok, desconte as empresas que possuem a palavra no Nome Fantasia por puro modismo e mesmo assim temos um indicador da importância da palavra.

Fica claro, portanto, porque existem tantos mantras que utilizam essa palavra, a maioria deles compelindo pessoas, processos e empresas a serem sempre criativos, revolucionários, visionários. Algumas vezes de forma orgânica, fluida, inerente ao seu modus operandi; outras, de forma paranoica, obstinada e atabalhoada. Esse é o momento em que ela começa a trabalhar contra tudo aquilo para o qual deveria servir; é quando a inovação complica ao invés de descomplicar.

Quando falo de complicar estou me referindo àquele modelo de inovação que parte da premissa “Preciso inovar, e para isso eu tenho que criar algo mirabolante”. Não consigo conceber uma conexão que justifique que inovar significa inventar algo hiperbólico. Para mim, na verdade, deve ser o contrário: uma das funções importante da inovação (entre tantas outras) é simplificar e obter resultados maiores e melhores com cada vez mais simplicidade.

Recentemente li um artigo médico que unia os conceitos de inovação com IoT. O tom do artigo era utópico, com ares de ficção científica, e concluía com algo do tipo “ansiamos por um dia em que inventarão ferramentas que, conectadas e acessíveis remotamente, possam informar o estado de um paciente de maneira ativa, nas quais poderemos intervir prontamente mesmo à distância”. Do ponto de vista da inovação, o autor se mostrou um romântico adepto da complicação: precisamos realmente criar algo que ainda não existe para atingir algum estágio inovador? Não seria inovador o suficiente criar não um novo monitor cardíaco que converse com a Web, mas apenas um acessório que se conecte aos já existentes, para atender dentro dos conceitos de IoT?  O fato é que a adoção do pensamento inovador não deve se ater exclusivamente à criação de algo novo, mas também à revisão de processos, fossilizados pelo tempo. O que nos faz entender porque, então, ainda encontramos resistência: por causa do fator intangibilidade. Pensar a inovação de forma complicada leva à intangibilidade, ao inacessível, através da seguinte inferência:

SE Para inovar eu tenho que (re) inventar algo do zero
E (re) inventar algo do zero demora e dá trabalho.
E se demora, não se paga e não gera resultado a curto prazo.
PORTANTO não é viável inovar”.

 Um exemplo clássico que mostra o quanto inovar não é apenas inventar: o mesmo programa espacial da NASA do século passado, que citei mais acima, deparou-se com o seguinte problema: como fazer funcionar uma caneta em ambiente de micro gravidade? E milhares de dólares foram investidos para criar uma caneta que permitisse aos astronautas escrever em ambiente tão inóspito. Dinheiro empreendido, resultado não obtido: as canetas inventadas não funcionavam, a despeito de tanta reinvenção e verba investida. O que o programa rival e contemporâneo soviético fez para resolver o mesmo problema? Utilizou lápis no lugar das canetas (um agradecimento aqui ao Marco Antônio Tangari por ter me lembrado desse caso). Isso também é inovação!

Não quero me fixar à ideia de que inovar é apenas criar ajustes e acessórios ao que já existe, mas que TAMBÉM É. E que ao pensar uma forma de simplificar um processo, mesmo que você utilize recursos que já existem (como o lápis para os soviéticos) você pode eliminar o ranço que te desmotivaria a inovar.

Marcelo Simonka.

 

O futuro é exponencial

  Sempre quando ouço falar sobre bitcoin lembro do livro Reconhecimento de Padrões, do William Gibson – famoso pela trilogia Sprawl, inspiração de Matrix – onde, em 2003, ele já especulava que a utilização de dinheiro em papel seria considerada ilegal. Ao analisar as possibilidades de utilização do blockchain (“livro-contábil” em banco de dados distribuídos público) nos faz sentir personagens de um enredo cyberpunk de verdade.

As possibilidades de desintermediação são quase infinitas, ainda mais quando associadas à outras tecnologias emergentes do mercado digital, como internet das coisas, machine learning, inteligência artificial, realidade virtual e realidade aumentada, e há aplicabilidade tanto para soluções financeiras como não financeiras. Hoje  as mais diversas iniciativas globais com o objetivo de desburocratizar os sistemas, oferecer segurança, transparência e conexões diretas entre consumidores e fornecedores, população e governo, usuários e devices.

Em quase todas as transações financeiras ou de confiança, um terceiro é responsável por validar e intermediar o processo, como instituições financeiras, cartórios e autoridades certificadoras (no caso de certificados digitais), o blockchain substitui todas elas através da criptografia e assinaturas com histórico de transações, através de um “livro-contábil” público distribuído entre os nós da rede que validam a origem, o destino e a ordem em que as transações ocorreram por meio de hashs, timestamp e recursos computacionais utilizados no processo.

No primeiro relatório do World Ecomomic Fórum para a disrupção ou  4º revolução – Deep Shift – coloca o blockchain no centro dos 6 grandes tópicos das mudanças, com foco principal em economia compartilhada e confiança distribuída, e prevê que até 2027 o uso do blockchain seja massivo globalmente. De olho nesse mercado, e atento as mudanças, não só do modelo de negócio, mas da própria característica fundamental de sua existência (como a alavancagem do dinheiro, inflação e derivativos) os setenta maiores bancos do mundo formaram em 2014 o consórcio R3 Cev, com o objetivo de construir e capacitar a próxima geração de serviços financeiros como contratos inteligentes, confiança distribuída e investimento em startups de serviços financeiros. Mas esse não é o único mercado de olho no poder do blockchain. Há desde compartilhamento de arquivos, contratos inteligentes, transparência na governabilidade à emissão de cidadania utilizando hoje a tecnologia que promete revolucionar não só a nossa relação como consumidores, mas a nossa própria noção de comunidade global e divisões geopolíticas:

Bitnation é uma estrutura governamental baseado em blockchain – um país na internet -, capaz de oferecer serviços como cartórios, segurança baseados em análise de risco, monitoração gps, resposta à eventos de emergências, imagens de lugares inacessíveis ou inseguros via drone, proteção e assistência médica, serviços à refugiados em parceria com a ACNUR, ACNUDH e UNPO, educação, entre outros.

Slock é uma fechadura inteligente, que possibilita, por exemplo, o aluguel de um quarto de hotel ou casa consultando a disponibilidade do local direto no device, efetuar a reserva e a transferência de criptomoeda diretamente à fechadura. E esta pode, por exemplo, efetuar a avaliação da sua própria funcionalidade, abrir um chamado de conserto e dividir os lucros entre os proprietários através de contratos inteligentes.

O mesmo será possível com os carros autônomos.

Para ir  além das soluções futuristas existem milhões de possibilidades práticas que dão transparência e agilidade aos processos burocráticos atuais como serviços governamentais de identificação, registro de propriedade, registro de novas empresas, consulta à população, decisões judiciárias, prescrições médicas, votos, pagamentos de taxas e impostos, tudo via internet, com soluções blockchain, que hoje já estão disponíveis na Estônia, o e-Estônia.

Através de contratos inteligentes é possível executar automaticamente as cobranças e divisões de lucros das cláusulas de um contrato, atividade com grande aplicabilidade na indústria fonográfica e serviço de stream, por exemplo.

Da agenda do médico à carteira de motorista, do reconhecimento de assinatura ao fechamento de um contrato, do aluguel da casa à emissão de um passaporte, onde o blockchain pode revolucionar a sua vida hoje?

Mais informações em:

 https://www.weforum.org/reports/deep-shift-technology-tipping-points-and-societal-impact/

http://www.r3cev.com/

https://smartcontract.com/

Abraços,

Ana Paula

 

 

Design Thinking – Parte 2

Olá pessoal, tudo bem?

Saiu a continuação do vídeo mostrando como utilizar o Design Thinking nos seus projetos!

Só para lembrar, dividimos o artigo em duas partes:

Parte I – Na primeira parte do artigo (veja aqui), mostrei como iniciar o projeto (etapas preliminares) e como coletar dados e informações para a condução do mesmo (Imersão).

Parte II – Neste vídeo veremos como analisar as informações levantadas, sintetizá-las, levantamento de ideias e criação dos modelos (protótipos) do projeto.

Se você já assistiu o primeiro vídeo, aumenta o volume aí e dá um play no vídeo!

 

Comunicação = Conteúdo + Forma

Já ouvi muitas vezes que uma boa comunicação é fator determinante para o sucesso de qualquer coisa que fazemos, seja: um projeto, uma gestão, um processo, mas é na prática que percebemos o quanto a comunicação pode construir ou destruir algo.

É sabido que uma boa comunicação é composta por um bom conteúdo e uma boa forma, ou seja, conteúdo e forma são partes distintas da comunicação que quando juntas na medida certa são como queijo e goiabada, dando equilíbrio e um sabor especial que atrai e agrada aos que experimentam.

Quando assisto palestras, reuniões de status, apresentações de produtos sempre reparo na quantidade exagerada de conteúdos e a baixa preocupação com a forma que será apresentada. Acredito que parte da responsabilidade dessa prática de excesso de conteúdo vem da vida acadêmica, onde professores substituíram a lousa e giz pela não tão querida apresentação Power Point.

Acredito que o uso de softwares de apresentação é uma grande oportunidade para dar a melhor forma ao conteúdo, escolhendo os recursos corretos, tais como: fontes, cores, formas, gráficos, animações etc é possível potencializar o poder de comunicação da mensagem que queremos transmitir.

Após anos de leitura, palestras, aprendizado e experiências de sucesso e insucesso, criei um modelo que apoia a criação de uma apresentação, o qual batizei de “PPT Canvas”, inspirados dos modelos de criação coletiva “Business Model Canvas®” e “Project Model Canvas®”.

 

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O modelo é simples e tem a intensão de ajudar o apresentador a pensar na melhor forma de apresentar seu conteúdo, selecionando o que há de necessário e interessante e o distribuindo em três partes: início, meio e fim.

Contudo, acredito que uma apresentação bem elaborada eleva a confiança, interesse e o engajamento dos interessados e ainda pode ser uma oportunidade única para dar visibilidade a um trabalho bem executado.

 

Admirável Mundo Novo

Olá pessoal! Tudo bem?

Vou dividir uma coisa com vocês. Estes dias eu comentava com alguns colegas aqui no UOLDIVEO sobre o espaço-tempo, seus eventos, variedades e como usar este sistema de coordenadas para definir um acontecimento. Brincadeira. Mas existe sim um momento místico, onde ocorre uma curva no espaço-tempo, de forma totalmente aleatória (na verdade é normalmente depois das 19:00hs) onde alguém lança uma ideia e isso vira uma excelente discussão, o que muitas vezes geram bons insights para o nosso banco de ideias.

Em uma destas “sessões filosóficas”, falávamos um pouco de um vetor importante da Transformação Digital, o famoso IoT, ou Internet das Coisas.

Aliás, aí está um termo que eu acho que soa melhor em português. Internet das Coisas.

Na ocasião, discutíamos sobre Smart Cities, e a quantidade de dados que elas vão gerar. Também discutíamos como o Marketing poderá se apropriar disso para expandir seus P’s e garantir que os clientes tenham a melhor experiência possível com um determinado produto. Enumerávamos quais industrias poderiam ser “Uberizadas” e claro, como tudo isso mudaria nossas relações, seja entre humanos, humano e máquina ou máquina a máquina (M2M). Lembram-se que no post passado eu falei que parte do nosso trabalho no UOLDIVEO é pensar no mundo de amanhã certo?

Mas esta discussão tomou outro rumo. Segurança. É verdade que ando meio obcecado pelas possibilidades que vão se desdobrar neste universo da Internet das Coisas, e sendo muito sincero com vocês, ando pensando sobre isso nas últimas semanas, em especial desde aquele ataque DDoS de 1Tbps que aconteceu em setembro ocasionado por Smart Devices e agora em outubro, o caso dos DNS’s da Dyn.

Ok, em especial este último caso, as análises ainda não foram concluídas, mas tudo levou a crer que que sua origem foi de uma IoT Botnet, assim como o caso da OVH. Pois é, as cyber weapons do futuro são exatamente que vocês estão pensando. Sabe aquela sensação de olhar para sua TV ou para o seu Raspberry e pensar: “Eu não acredito que vocês estão se envolvendo com este tipo de coisa…”. Parece brincadeira né?

Você já deve ter lido em algum lugar sobre o futuro, sobre essa nova realidade,  O Gartner já estimou que serão 6.4 Bilhões de novos dispositivos conectados até o final de 2016, e certamente podemos esperar um número superior a 20 Bilhões até o final de 2020. O impacto disso em nossas vidas será sem tamanho, e de mais de uma maneira. Agora imagine que todos estes dispositivos podem não ser seguros o suficiente… . Não, o futuro não é um lugar sombrio, é só diferente. Mas não posso deixar de dizer que eu acho muito interessante viver este momento, participar e explorar estas novas possibilidades.

Sim, é bacana, mas ainda existe muito trabalho, estudo e discussões a serem feitos. É fato que já existem pesquisas e práticas de hardening para Internet das Coisas, além de debates sobre como fabricantes e consumidores precisam se preparar e encarar estas questões. Talvez até desenvolvimento de uma cultura. É uma preparação para o desconhecido, e que exige a nossa atenção para que estes eventos tenham seus impactos diminuídos. Claro, isso pede que todos os envolvidos estejam engajados com as mais melhores práticas de segurança.

Mas encare a realidade. Para a maioria dos especialistas em segurança tudo isso não é novidade. Há algum tempo, temos dados que nos levam a compreender que existem brechas de segurança quando trazemos novos elementos conectados para nossa estrutura. Mas será que corremos mesmo o risco de um futuro caótico? Alguma coisa no meio Aldous Huxley ou William Gibson? Isso eu não sei dizer, mas te devolvo com uma outra pergunta: alguma vez a inovação foi vista de outra forma? Certo ou errado, a verdade é que daqui para a frente você não deveria olhar para uma câmera CCTV, uma Smart TV, um carro autônomo ou quem sabe para a sua geladeira, com os mesmos olhos…

Por hoje é isso.
Abraços!

Fabiano